17 de jun. de 2010
Perca um Livro!!!
Como contadores de histórias sempre nos emprestamos desses verbos para agir com a palavra no mundo.
E se... de repente nos esquecêssemos só um pouquinho?
É a proposta de um jogo muito grato chamado "Perca um livro".
É perder para alguém achar!
É lançar sementes nesse grande labirinto que são as cidades e deixar que alguém encontre o fio de Ariadne.
Quer saber mais, entra lá: Perca um Livro !!!
Bom, eu já estou nessa... se encontrarem um livro com um fio por aí...
Sigam os fios...
9 de jun. de 2010
Brasil nos EUA: um marco histórico!
Queridos e Dears!
Quero compartilhar com vocês a mensagem orgulhosa que recebi de Adriana Sabino, presidente do CCBU - Centro Cultural Brasil Estados Unidos - que vem realizando programas culturais maravilhosos na Flórida, a fim da disseminação da riqueza da cultura brasileira na música, dança, artes cênicas, artes visuais e outras iniciativas, incluindo a educação.
Em 2007, quando fui pela segunda vez aos Estados Unidos por conta da Miami Book Fair, visitei a escola Ada Merritts e o programa é realmente delicioso. As crianças realmente conhecem muito de Brasil e tem uma curiosidade linda de se ver e responder.
Assim, como Adriana Sabino, também me sinto muito orgulhosa de fazer parte dessa história, por ter sido parte da história dessas crianças e por ser brasileira e poder representar dignamente nosso país.
E viva ao conhecer!
Afeto sempre,
............................................................................
"Caros Amigos,
É com grande alegria que compartilho com vocês a notícia da graduação da primeira turma de oitava série do ensino fundamental - programa bilíngue português / inglês, da escola pública Ada Merritt K-8 Center, em Miami, Flórida, ocorrida ontem, 7 de junho de 2010.
Esta formatura representa um marco importante na história das comunidades brasileiras no exterior.
Pela primeira vez, um grupo de estudantes de variadas nacionalidades: brasileiros, hispanos e americanos, completou os estudos do ensino fundamental num programa bilíngue e bi-cultural em português e inglês, oferecido numa escola pública, aberta a estudantes de todas as áreas do condado de Miami-Dade e dos condados vizinhos, Broward e Monroe.
Alguns destes alunos cursaram o programa ininterruptamente desde a segunda série, aprendendo o conteúdo das matérias do currículo nas duas línguas, num formato em que a instrução é ministrada 60% da carga horária em inglês e 40% em português. Eles falam e escrevem fluentemente o português e tem um profundo conhecimento da cultura brasileira. Estes alunos e suas famílias estarão para sempre ligados ao Brasil através da língua portuguesa e da cultura brasileira.
Como presidente do Centro Cultural Brasil-USA da Flórida (CCBU), sinto-me privilegiada por ter participado da criação deste extraordinário programa apoiando o sistema escolar público, Miami-Dade County Public Schools quando, em 1999, surgiu a idéia de expandir a oferta de educação bilíngue e bi cultural, agregando o programa de português aos já existentes de espanhol, francês, alemão e italiano.
Graças ao empenho aos voluntários do CCBU que fizeram uma campanha de divulgação e de captação de alunos, o programa foi iniciado em 2003 na escola Ada Merritt. No primeiro ano, apenas 64 alunos se matricularam no programa de português. No ano seguinte o programa já contava com 164 alunos. Em 2010 aproximadamente 250 alunos de várias nacionalidades terminaram o ano letivo 2009-10 no programa de português.
O CCBU continua o seu envolvimento no programa organizando eventos culturais e apresentações de grandes escritores e artistas brasileiros, além de participar nas comemorações de datas nacionais e festividades brasileiras. Ana Maria Machado, Daniel Azulay, Angelo Machado, Tatiana Henrique, Mauricio de Souza, Paulo Gualano, foram alguns dos participantes dos programas culturais.
O sucesso do programa da escola Ada Merritt K-8 Center valida o envolvimento do CCBU na criação deste programa que é simultaneamente um poderoso instrumento de manutenção e desenvolvimento das origens nacionais, no caso dos alunos brasileiros e de divulgação da língua portuguesa e da cultura brasileira, no caso dos alunos não brasileiros.
O sucesso desta primeira experiência nos incentiva a trabalhar para ampliar o programa para outras escolas do Sul da Flórida e dos EUA, criando um modelo que possa ser implantado em outros países onde existam comunidades brasileiras.
Agradeço a todos vocês que contribuíram para o sucesso do programa bilíngue português-inglês, com o seu apoio e sua participação. E convido-os a participar da próxima etapa: o desafio de consolidar e aprimorar o programa criando um currículo brasileiro complementar aprovado pelo Ministério da Educação, um convênio entre o governo brasileiro e o sistema escolar público local, e ampliando este programa para outras escolas públicas americanas.
Parabenizo a primeira classe de oitava série do programa de português-inglês da escola Ada Merritt K-8 Center, em Miami (660 S.W. 3rd. Street. Miami, FL ).
Anna Alvarez | Sloane Bochman | Victoria Diaz | Katelyn Flood | Tiago Lopez|
Alex Nordlund | Brennan Sullivan | Janelle Williams
Minhas cordiais saudações.
Adriana "
.............................................................................................
Site do CCBU: http://www.centroculturalbrasilusa.org/
31 de mai. de 2010
O que fazem as meninas quando desabrocham?

Um bocadinho de Teatro de Rua... Uma pitada de Lirismo... Um punhado de Comédia... Uma mão de cantiga de roda... Esses e outros são os ingredientes do espetáculo teatral "O que fazem as meninas quando desabrocham?", baseado em três contos de Mário de Andrade.
Ambientados na década de 20 do século passado, os contos "O besouro e a rosa", "Menina de olho no fundo" e "Jaburu malandro" tem em comum as histórias de três meninas, Rosa, Dolores e Carmela, que, alheias às tranformações sociais da época, às conquistas feministas e lutas políticas, descobrem o desejo de ser mulher e amar livremente.
Os três textos fazem parte do livro "Contos de Belazarte", onde Mário de Andrade reúne toda a sua pesquisa da cultura popular brasileira em histórias que mostram bairros intocados em uma São Paulo que já vivia modificações urbanas e industriais.
O diretor Eduarco Vaccari aplica na encenação o colorido da linguagem do circo-teatro, dialogando com os textos e momento lírico evocado na literatura-contação de histórias andradiana.
As apresentações acontecem até dia 20 de junho, às sextas, sábados e domingos, às 20h30, no Teatro Armando Costa - ETET Martins Pena - Rua 20 de abril, 14, Centro RJ
A entrada é gratuita, com senhas distribuídas a partir das 19h30 - 60 lugares
Visite o site clicando aqui "O que fazem as meninas quando desabrocham?"
Evoé!!!!!!!!!!
23 de mai. de 2010
Cinco minutinhos pra coisas boas? Então vai lá:
Site de Literatura Infatojuvenil da UFRJ
http://www.literaturainfantilejuvenil.com.br/
Sigam os fios... ainda que virtuais.
8 de abr. de 2010
Queridos, neste fim de semana levo meus fios para Miami - EUA, no Brazilian Festival.
Torçam por esta conterrânea feliz por representar um pouco da cultura brasileira.
Na volta conto mais. Porque eu conto mesmo!Afeto sempre,
http://www.centroculturalbrasilusa.org/ENGLISH/CCBU-Events.html
22 de jan. de 2010
"Maria Indicadora era daquelas que adorava apontar os defeitos e as qualidades e os lugares e tantas e tantas coisas desse mundo. Desde pequena sempre metia o bedelho onde era e não era chamada. E é claro, prezava muito por seus dedinhos, todos eles, pois cada lhe permitia meter os bedelhos em todos os lugares que quisesse: nas orelhas, pra aliviar aquela coceirinha, no bolo, na panela de sopa quente e gostosa, no nariz, nos olhos, na cabeça e até entre uma unha e outra, dentro do armário.
Pois foi assim de uma pro outro, sem nada nem ninguém, nem ela mesma saber porquê, aquilo tudo aconteceu, daquele jeito.
Ela acordou do mesmo jeito como acordava todos os dias, se espreguiçou e coçou os olhos, com o dedo mindinho como fazia todos os dias, retirando-lhes as remelas... mas... não conseguia nem mesmo alcançar os olhos, pois... o seu dedo mindinho, o esquerdo, havia sumido.
O mais estranho: não havia sinal de corte nem sangue, nem ela havia se machucado no dia anterior, nem era sonâmbula pra ter perdido seu mindinho por aí.
Ainda mais estranho foi no dia seguinte: o dedo mindinho, o direito também havia desaparecido.
E no outro o seu vizinho esquerdo. O seu vizinho direito. Os pai de todos. Os fura bolos. E até os mata piolhos.
Ela já não saía mais de casa, de deito nenhum! Imagine, como ela iria acenar para as pessoas, pegar os pães na mercearia, colher as flores, receber um beijo nas mãos?!!!!
Bom, ela até tentou alguma artimanha para disfarçar: luvas!!!! Na primeira vez, empurrou terra pra dentro dela, mas... a terra pesava muito e a luva caía no chão.
Depois tentou palitos de madeira, mas... eles eram muito fininhos, não davam firmeza e ainda pareciam ossos.
E os ossos?! Cruzes! Começaram a feder e a juntar formigas.
E Maria Indicadora começou a apontar pra baixo, com toda a sua cabeça e olhos e ombros saudosos daqueles dez dedinhos.
O que precisava mandava entregar. Já deixava o dinheiro na porta. Não precisava trabalhar mesmo, porque moça com a vida dela, já teve quem metesse os dedos na cara de suor e deixasse-lhe apenas os louros.
E, agora, só ficava na janela e com as mãos bem escondidas, pra ninguém desconfiar.
Mas, ainda que quisesse se esconder, sabe-se lá o porquê, bem naquele dia, aquele moço passou por ali, e algo nela acertou nele e mandou seta para aquela janela e nenhuma outra.
Os olhos dele se meteram nos olhos dela e ela, percebendo, começou a marcar os dela pros lados, “ele não pode chegar aqui! como eu vou estender a mão! Santa Luzia, mostra outro lugar pra esses olhões!”
Mas nada adiantou... ele foi se aproximando como se amarrado por todos os dedos que ela não tinha naquelas mãozinhas.
Ela fechou os olhos.
Ele tirou a mão direita do bolso da calça e estendeu pra ela.
Ela sabia que ele estava ali. Não era de bom tom ignorar.
E quando ela olhou para as mãos dele... ela a viu... com dez dedos.
Um sorriso riscou o rosto dela, e não era de deboche, mas era por encontrar alguém de mão tão absurda quanto a dela.
E olhando mais e mais, ela viu que aqueles cinco dedos a mais não eram dedos quaisquer.
Reconhecia-lhes a finura, as unhas pintadas e o anelzinho de pedrinha verde.
Quando uma parte da gente quer buscar a quem se ama, ultrapassa-se os limites do próprio corpo e da alma."